28 Abr 2020

Infância, adolescência e os novos desafios dos profissionais de saúde

Aumento nos diagnósticos de problemas mentais e transtornos alimentares demanda atualização profissional constante

A cada 160 crianças, uma tem o transtorno do espectro autista (TEA). Um em cada cinco adolescentes enfrenta problemas de saúde mental. E pelo menos 4,7% dos brasileiros sofrem com distúrbios alimentares. Esses dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, embora soem alarmantes, são resultado de um novo momento na medicina. “Não é que as pessoas estejam mais doentes. Na realidade, há muitas mudanças no campo da saúde, com recursos mais específicos que auxiliam no diagnóstico de alguns transtornos”, explica Patricia Guillon Ribeiro, psicóloga clínica e coordenadora da pós-graduação em Abordagens Multidisciplinares da Saúde Mental da Criança e do Adolescente da PUCPR.

Com a evolução da medicina integrada, não foi só o diagnóstico que ficou mais efetivo. O trabalho multidisciplinar dos profissionais de saúde tem feito a diferença nos índices de longevidade da população - a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos, de acordo com dados do IBGE no último levantamento sobre o tema, em 2018. Com mais pessoas preocupadas com bem-estar e qualidade de vida, as profissões da área também passam por mudanças. “Esse é um dos pontos importantes do avanço da tecnologia, precisamos estar mais preparados para lidar com a intensificação dos diagnósticos. Não há mais espaço para quem conhece mais ou menos, é importante que quem trabalha com saúde possa se aprofundar nos estudos”, analisa Patricia.

Integralidade na atuação profissional

Além da parte física, os cuidados com saúde e bem-estar desde a infância alcançam outras áreas. Ciências humanas, medicina, direito, psicologia, sociologia: tudo está interligado, como explica a coordenadora. “Nos vemos cada vez mais precisando trabalhar com outros profissionais. No acompanhamento de crianças com necessidades especiais, por exemplo, é importante ter conhecimento das questões legais que envolvem os direitos dessa criança; em casos de separação dos pais e disputa de guarda, os aspectos jurídicos que afetam a saúde física e emocional dos filhos também precisam ser considerados”, exemplifica.

Por isso o mercado de trabalho está cada vez mais exigente. “Ajudamos os alunos a refletirem sobre os caminhos que precisam ser tomados nos tratamentos de maneira multidisciplinar, não somente pelo viés de uma única profissão”, completa Patricia.

Conhecimento focado em múltiplas áreas

Na PUCPR, há cursos de pós-graduação específicos para o aprofundamento nas questões relacionadas ao tratamento e acompanhamento de pacientes na infância e adolescência. Na especialização em Abordagens Multidisciplinares da Saúde Mental Infância e Adolescência, o foco está na construção do conhecimento nos aspectos que afetam o físico e o emocional dos pacientes, especialmente para atendimento clínico-psicológico. Já a especialização em Obesidade e Transtornos Alimentares acompanha as mudanças sociais e comportamentais da relação dos jovens com a alimentação. A OMS estima que pelo menos 10% da população entre 14 e 20 anos sofra com anorexia, bulimia e compulsão alimentar – por isso, o conhecimento no assunto é relevante para profissionais de diversos campos, detalha a coordenadora da PUCPR: “psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos poderão compreender o que é a obesidade, por que esses transtornos são cada vez mais diagnosticados e todos os aspectos que envolvem uma cirurgia bariátrica, por exemplo”.