22 Mai 2020

Estudantes dão dicas para se adaptar ao modelo remoto de ensino

Migração para modelo remoto foi aprovada pela maioria dos usuários

As medidas de prevenção contra o coronavírus alteraram profundamente a rotina de muitas pessoas. Na PUCPR, que conta com uma comunidade acadêmica de quase 30 mil pessoas, as atividades foram migradas para um modelo remoto síncrono, em que as aulas acontecem online, nos mesmos horários da grade presencial.

Depois da mudança, a Universidade fez uma pesquisa com mais de 10 mil estudantes e 800 professores da PUCPR, e 80% dos respondentes se mostraram satisfeitos com a qualidade das aulas remotas. “Nossa maior preocupação era entregar aulas com o DNA PUCPR, mantendo o ensino por competências, com a qualidade que o estudante merece, e o resultado mostra que estamos no caminho certo”, explica Renata Iani Werneck, Pró-Reitora de Graduação da PUCPR.

Estudantes têm se adaptado

rotina

Flávio Nakamura reorganizou o espaço de estudos para diminuir distrações.

Com a mudança no modelo de ensino, os estudantes também precisaram se adaptar. Flávio Eiiti Nakamura, por exemplo, estudante do 5º período de Engenharia Biomédica, mora com avós e, além do espaço de estudos, precisou adequar a rotina e a comunicação em casa. “Principalmente no começo minha avó perguntava se eu não iria ‘para a escola’. Então eu falava que estava me preparando para estudar, mas em casa. Tem que repetir algumas vezes e ter paciência”, explica.

Para ajudar na adaptação de todos à nova rotina, ele tomou algumas ações simples. “Quando estou em aula ou fazendo os exercícios deixo a porta fechada, para sinalizar para a família. Para dar conta das atividades, uma coisa que ajuda é entender a dinâmica da aula de cada professor. Assim você sabe o que precisa fazer e já se organiza”.

Já para Gabriel de Almeida, do 4º período de Design, a maior dificuldade é não procrastinar. “O negócio é aproveitar o tempo. Acordar no mesmo horário e fazer os trabalhos no período reservado para a aula, como a gente faria presencialmente. Se deixar para fazer em outro horário a chance de se perder é muito grande”, comenta.

Yasmin Mayer, também estudante de Design, trabalha e ainda faz atividades freelance, e o modelo remoto ajudou a otimizar o tempo. “Minha maior dificuldade é não emendar uma atividade na outra. Então fiz um planner, estilo kanban, com todas as minhas atividades, separadas entre o que preciso fazer, o que está em andamento, e o que já está pronto. Isso me ajuda a entender que estou sendo produtiva mesmo em casa. Percebo que muitos colegas se frustram por não terem essa sensação”, conta.

Esforço da Universidade

universidade

Universidade reservou computadores e modens de internet para estudantes continuarem estudando em casa.

A conversão rápida para o modelo remoto só foi possível porque a PUCPR vem estudando e se preparando desde 2015. Muitos professores já tinham passado por formações específicas, e os estudantes vinham desenvolvendo atividades remotas com o Trabalho Discente Efetivo (TDE).

O ensino remoto, escolhido pela PUCPR para este momento, teve dois objetivos principais: preservar a saúde de estudantes, professores e colaboradores, e não afetar o calendário acadêmico. “Nós entendemos que cancelar ou adiar o semestre, por exemplo, envolveria muita coisa. A formatura, a vida financeira, futuras oportunidades de trabalho e planos da vida pessoal dos nossos estudantes”, explica Cinthia Bittencourt Spricigo, responsável pelas atividades do Creare, o Centro de Ensino e Aprendizagem da PUCPR.

Para permitir que todos passassem por este período de forma tranquila, foi montado um esquema de apadrinhamento, em que professores com dificuldades fossem auxiliados por docentes treinados nos sistemas remotos. No caso dos estudantes, para garantir que todos pudessem continuar os estudos em casa, a Universidade disponibilizou 330 computadores e 178 modens 4G para empréstimo. Mais de 300 estudantes já foram beneficiados.

Retorno das aulas

Neste momento, a Universidade está dedicando esforços aos conteúdos teóricos. As disciplinas e conteúdos práticos serão concentrados na volta das atividades presenciais. “O estudante pode ter a certeza de que a prática vai ser entregue, mas no momento certo, quando retornarmos à Universidade”, explica a Pró-Reitora de Graduação, Renata Iani Werneck.

Esta volta à PUCPR, porém, só deve ocorrer quando houver uma sinalização das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. “Vamos fazer tudo com calma, porque estamos lidando com a vida dos nossos estudantes, professores e colaboradores, então o cuidado tem que ser grande”, conta Renata.