23 Mai 2020

Diálogo e meditação podem ajudar a melhorar convivência em casa durante isolamento

Psicólogas orientam famílias e colegas de quarto passando por conflitos

A sobrecarga emocional que muitos tem enfrentado durante o período de isolamento social, somada à convivência mais constante em casa, faz com que famílias, parceiros e colegas de quarto que moram juntos acabem, por vezes, entrando em conflitos. Nesse momento, que pede o apoio dos mais próximos, é importante encontrar meios de contornar esses desentendimentos para criar um ambiente saudável para todos os coabitantes.

Para a professora do curso de Psicologia da PUCPR, Patrícia Guillon, os problemas de convivência mais comuns são aqueles que já faziam parte do dia a dia antes do isolamento, como falta de paciência, questões de privacidade e irritabilidade. “Em alguns lares esse afastamento já existe há muito tempo. Ter que conviver de novo e resgatar esse convívio, num espaço pequeno por causa da obrigação de ficar em casa, faz com que conflitos que antes não eram comentados apareçam”, aponta Patrícia.

O acúmulo de trabalho remoto, tarefas domésticas e atividades acadêmicas agrava a carga de stress, principalmente se há problemas de comunicação prévios entre os moradores. “São várias rotinas a se combinar dentro de uma mesma casa, esse é o grande desafio”, explica a psicóloga. A solução ponderada seria, na opinião dela, exercitar a empatia, a paciência e a tolerância. “Precisamos pensar que não estamos sozinhos. Se para nós está difícil, para o outro lado também deve estar”.

Conversar é a chave

Estabelecer diálogos é uma ótima forma de começar a trabalhar as questões de convivência. Mas, quando as conversas esbarram em opiniões divergentes, a psicóloga do SEAP Curitiba, Giseli Rodacoski, aconselha que a liberdade de ponto de vista deve prevalecer sobre a expectativa de que todos concordem. “Indivíduos pensam diferente porque foram moldados por experiências e pessoas diferentes, e nesse contexto, suas opiniões são válidas”. Para a profissional, é preciso ponderar se vale a pena perder a qualidade dos relacionamentos em uma disputa pela razão.

Comunicar-se usando ironia ou agressividade só piora os conflitos, segundo a psicóloga. Para falar de forma assertiva, ela aconselha que o “você está errado” e o “você não sabe” sejam substituídos por “eu penso diferente”. Ao invés de apontar os erros do outro, seria mais eficaz falar sobre si mesmo nessas situações.

Lidando com as crianças

Dialogar com as crianças que vivem em casa também é fundamental. Em casos de conflitos, os pequenos costumam ser os mais afetados. É preciso explicar o contexto a eles para que entendam que o isolamento social não é o mesmo que férias, principalmente porque os adultos continuam estudando e trabalhando. “Eles podem querer brincar o tempo todo por perceber que estão todos em casa, o que torna difícil organizar a rotina. Nesse caso, é preciso explicar para eles que seus pais ou responsáveis precisam estudar e trabalhar”, aconselha Giseli.

Nessas situações, não é ideal brigar com os pequenos, conforme explica Patrícia. A agressividade dos pais com as crianças é uma preocupação da profissional, pois, mais estressados por conta do isolamento, os pais têm menos paciência com os filhos. “Principalmente com as crianças que são mais agitadas e demandam mais”.

Conciliando as rotinas

Para grande parte das pessoas, a produção não parou com o isolamento social: o trabalho continua em homeoffice, e os estudos permanecem remotamente. Cada um com a sua rotina, pode ficar difícil conciliar horários, espaços de trabalho e equipamentos como computadores para todos. Esse é mais um momento em que o diálogo se faz necessário, como explica Patrícia. “É importante combinar, estabelecer momentos para que todos possam realizar suas atividades. Mas não podemos esquecer da convivência, porque também é importante”, ressalta.

A psicóloga recomenda ainda que, para amenizar o stress e até mesmo preveni-lo, é válido buscar momentos de relaxamento ouvindo música ou meditando. “Essas atividades ajudam muito a baixar a irritação e aumentar a tolerância”, explica Patrícia.

Meditação pode ajudar

Em momentos de conflito, seja interno ou externo, individual ou coletivo, a meditação ajuda a limpar a mente e gerenciar melhor os pensamentos e ações. É o que explica Armando Celia, condutor de práticas de Meditação Ativa e Relacional da Identidade Institucional da PUCPR. “A meditação é uma ótima oportunidade de descobrir coisas sobre nós e sobre a vida. Pensamos sobre o que devemos dar importância e o que não dar, ao invés de cair na briga”.

O método de Meditação Ativa e Relacional está baseado no mindfulness, que é a “Prática da atenção plena e da presença de qualidade no aqui e agora”, conforme explica Celia. Esse tipo de meditação pode ser praticado por qualquer pessoa, diariamente. Com o tempo, a concentração de alguns minutos vai sendo incorporada na rotina, e qualquer atividade é realizada com atenção plena – até mesmo tomar água. Praticar calma e atenção dessa forma ajuda a pacificar as relações. “Quando estou calmo e de bem comigo, estou de bem com todos. Começo a entender mais o outro, não julgo, não fico implicando, pratico o que a meditação relacional e ativa ensina, que é a empatia: entender os motivos do outro assim como tenho os meus”, reflete Celia.

No site da Identidade Institucional da PUCPR, você encontra diversas sessões de meditação para praticar em casa quando quiser.